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04/05/2018 - 14h43

Saiba mais sobre a Toxoplasmose

Muito comum, a doença pode passar despercebida.

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Saiba mais sobre a Toxoplasmose

A infecção provocada pelo Toxoplasma gondii é muito comum no homem e em animais. Estima-se que de 70 a 95% da população humana esteja infectada.  É transmitida aos seres humanos através das fezes de diversos animais, domesticados e de produção contaminados com o protozoário. Os mais conhecidos são os gatos, mas a lista inclui bovinos, suínos, caprinos, aves e animais silvestres.

A toxoplasmose pode ser adquirida ou congênita, destacando-se 3 formas de contágio: 

- ingestão de carne crua ou mal cozida de animais parasitados contendo cistos teciduais, especialmente do porco, do boi e do carneiro; 

- ingestão de oocistos contaminantes na água e alimentos, provenientes do solo, lixo e de qualquer local onde os felinos, principalmente gatos defecam, ou por transmissão direta que afeta, sobretudo, as crianças pelo manuseio de terra e areia em suas brincadeiras ao ar livre; 

- via transplacentária do protozoário, acontecendo quando as mulheres se infectam entre a concepção e o sexto mês de gestação. A toxoplasmose não é transmitida diretamente de um indivíduo a outro, exceto no útero. 

A forma adquirida é, geralmente, benigna, podendo ser assintomática ou apresentar sintomas leves em indivíduos imunocompetentes. Em razão dos sintomas comuns, dores de cabeça e no corpo, aumento de linfonodos, fadiga e febre, a toxoplasmose pode ser facilmente confundida com outros problemas de saúde. A confirmação do diagnóstico dependerá de uma combinação das informações clínicas e de resultados de exames laboratoriais de pesquisa por anticorpos para o Toxoplasma gondii (IgG e IgM).

No entanto, numa minoria, as manifestações clínicas da toxoplasmose podem ser graves, gerando pneumonia difusa, miocardite (inflamação do miocárdio), miosite (inflamação muscular), hepatite ou encefalite (inflamação do cérebro). A doença também pode cursar com hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e do baço), plaquetopenia (número baixo de plaquetas) e leucocitose linfocítica (aumento do número de linfócitos). 

Os casos mais preocupantes são os de pacientes imunocomprometidos, como os portadores de HIV, doença de Hodgkin ou em uso de medicamentos imunossupressores, e os de gestantes que adquiriram a infecção durante a gravidez, estes em razão da possibilidade de transmissão transplacentária e de ocorrência de deformidades no feto. Importante salientar a possibilidade de manifestação ocular da toxoplasmose, na qual a coriorretinite é a lesão mais frequentemente associada à doença. O farmacêutico que atender pacientes que tenham manifestado sintomas da infecção aguda e que apresentarem intensa inflamação ocular e/ou alterações visuais deverá encaminhá-los para atendimento médico, uma vez que a toxoplasmose ocular pode causar cegueira.

A toxoplasmose é uma doença endêmica que, apesar de não ser objeto de ações de vigilância epidemiológica, possui grande importância para a saúde pública, devido a sua prevalência, apresentação em pacientes com AIDS e gravidade dos casos congênitos. O tratamento específico nem sempre é indicado nos casos em que o paciente é imunocompetente. São exceções os casos de início durante a gestação ou de comprometimento de outros órgãos, como coriorretinite e miocardite. O farmacêutico pode ajudar seus pacientes ao identificar a ocorrência dos sintomas da infecção primária e de sinais das manifestações mais graves e encaminhá-los para atendimento médico.

 

Referências: 

1.BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. – 8. ed. rev. – Brasília : Ministério da Saúde, 2010. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doencas_infecciosas_parasitaria_guia_bolso.pdf. Acesso em: 04/05/2018.

2.RIO GRANDE DO SUL. Secretaria Estadual da Saúde. Centro Estadual de Vigilância em Saúde. Informe sobre Casos de Síndrome Febril em Santa Maria 18/04/2018. Disponível em: http://www.saude.rs.gov.br/upload/arquivos/carga20180445/19164535-informe-toxoplasmose-santa-maria-18-04-18.pdf. Acesso em: 04/05/2018.

3.BRASIL. Fundação Osvaldo Cruz. Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde. Rede de Bibliotecas da Fiocruz. Biblioteca Manguinhos. Produtos - Série Doenças - Toxoplasmose. http://www.fiocruz.br/bibmang/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=111&sid=106. Acesso em 04/05/2018.

4.BRASIL. Ministério da Saúde. Blog da Saúde. Toxoplasmose. Disponível em: http://www.blog.saude.gov.br/index.php/34462-toxoplasmose. Acesso em: 04/05/2018.

5.BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. Dicas em Saúde. Toxoplasmose: Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/dicas-em-saude/2125-toxoplasmose. Acesso em: 04/05/2018.






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