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27/11/2018 - 16h48

Tuberculose: orientações para prevenção e tratamento

Confira o material produzido pela Orientação Técnica do CRF/RS. 

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Tuberculose: orientações para prevenção e tratamento

O que é?

A tuberculose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch), que atinge principalmente os pulmões (tuberculose pulmonar), mas pode comprometer diversas partes do corpo (tuberculose extrapulmonar). No Brasil, a doença é um sério problema de saúde pública e a cada ano são notificados aproximadamente 70 mil casos novos, ocorrendo cerca de 4,5 mil mortes em decorrência da mesma.

Quais são os principais sintomas?

• Tosse na forma seca ou produtiva;

• Febre baixa;

• Sudorese noturna;

• Dor no peito (dor torácica);

• Emagrecimento/falta de apetite;

• Cansaço/fadiga.

Na tuberculose extrapulmonar, outros sintomas podem surgir, de acordo com o órgão infectado. 

Como a doença é transmitida?

A tuberculose é uma doença de transmissão aérea. Ao falar, espirrar e, principalmente, ao tossir, as pessoas com tuberculose ativa lançam no ar partículas em forma de aerossóis que contêm bacilos. No entanto, bacilos que se depositam em roupas, lençóis, copos e outros objetos dificilmente se dispersam em aerossóis e, por isso, não desempenham papel importante na transmissão da doença. Com o início do esquema terapêutico adequado, a transmissão tende a diminuir gradativamente e, em geral, após 15 dias de tratamento chega a níveis insignificantes. No entanto, o ideal é que as medidas de controle de infecção sejam implantadas até que haja a negativação da baciloscopia. Crianças com tuberculose pulmonar geralmente são negativas à baciloscopia.

Como prevenir?

• Imunizando as crianças com a vacina BCG (Bacillus Calmette-Guérin), ofertada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS);  

• Identificando a “infecção latente de tuberculose”, que acontece quando uma pessoa convive com alguém que tenha a doença. Neste caso, é necessário procurar uma unidade de saúde; 

• Investigando contatos de indivíduos doentes de tuberculose; 

• Mantendo a casa ventilada e com entrada de luz solar nos ambientes; 

• Alimentação adequada contribui para a imunidade e, portanto, para prevenção da doença.

Vacinação

A vacina BCG deve ser administrada o mais precocemente possível, de preferência, logo após o nascimento do bebê. A vacina diminui a incidência de formas graves da tuberculose (meningite tuberculosa e tuberculose miliar). Deve-se verificar no Cartão da Criança a situação vacinal e, caso não esteja atualizada, fazer o encaminhamento à unidade de saúde para atualizar o esquema vacinal. As crianças de até 5 anos de idade que não têm cicatriz vacinal no braço direito também devem ser encaminhadas à unidade de saúde para que seja avaliada a necessidade da vacinação.

Como é feito o diagnóstico?

• Exame clínico: levantamento da história clínica envolvendo os sinais e sintomas; história anterior de tuberculose; presença de fatores de risco para a doença. 

• Achados epidemiológicos: investigação dos contatos intradomiciliares ou dos que convivem com pessoa com tuberculose bacilífera (que eliminam bacilos); história de resultado positivo da prova tuberculínica.

• Exame direto do escarro: solicitação da baciloscopia (coleta de 2 amostras de escarro para exame: uma coleta no momento da consulta e a outra no dia seguinte, ao despertar) ou do teste rápido molecular para tuberculose (uma única amostra no momento da consulta). Quando indicado, o escarro pode ser encaminhado para o exame de cultura e para o teste de sensibilidade, que permite avaliar a resistência do bacilo ao tratamento da tuberculose. 

• Exame radiológico: solicitação de radiografia de tórax, quando necessário, que pode revelar imagens sugestivas de tuberculose e estas serem classificadas como: normal, suspeita e/ou com sequela. Trata-se de um exame complementar no diagnóstico de tuberculose.

Como tratar?

Os medicamentos devem ser de acordo com o peso do paciente e tomados em uma única dose diária. O tratamento dura, no mínimo, 6 meses, é gratuito pelo SUS e consiste em tomar medicamentos específicos, tais como: rifampicina(R), isoniazida(H), pirazinamida(Z) e etambutol(E). O tratamento é composto por uma fase intensiva de 2 meses, com a utilização do RHZE em dose fixa combinada, seguidos de 4 meses de RH.

O tratamento diretamente observado (TDO) deverá ser realizado em todas as pessoas com a doença, pois permitirá melhor adesão e êxito. A visita domiciliar faz parte do tratamento, para identificação da residência do doente, conhecer os contatos e realizar a educação em saúde.

As reações adversas envolvem desde problemas gastrointestinais leves até hepatite grave. Os sintomas digestivos (náuseas, vômitos etc.) são muito frequentes durante o tratamento. Por isso, o paciente precisa manter boa alimentação. 

Além da medicação diária, é importante a coleta do exame de escarro ao final de cada mês, para avaliar o sucesso ou a falência do tratamento. É importante que a pessoa com tuberculose seja acompanhada por uma equipe multiprofissional, mensalmente, até o fim do tratamento. Ao abandonar o tratamento, o paciente corre o risco de não se curar, desenvolver cepas resistentes ou vir a morrer em decorrência da doença.

O que é coinfecção TB-HIV? 

A coinfecção TB-HIV ocorre quando uma pessoa tem HIV e Tuberculose (TB) ativa ao mesmo tempo. Essa associação é a principal causa de morte entre as pessoas que vivem com HIV/SIDA (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, ou AIDS). Nesse caso, a transmissão da tuberculose é semelhante a que se dá entre a população em geral: transmissão aérea por aerossóis contidos em gotículas contaminadas.

A tuberculose tem cura?

Sim! A tuberculose tem cura e deve ser confirmada por meio de exames. Para obter a cura, o paciente precisa realizar o tratamento até o final e sem interrupção.

Qual o papel do farmacêutico?

O farmacêutico é um profissional estratégico e necessário para o enfrentamento da tuberculose no âmbito da atenção primária à saúde. Ele deve colaborar com os demais profissionais do sistema de saúde, com o objetivo de alcançar resultados concretos que melhorem a qualidade de vida do paciente. É seu dever orientar a população sobre a transmissão da doença e as formas de prevenção, além de possuir a responsabilidade de realizar o acompanhamento farmacêutico dos pacientes diagnosticados, informando a importância da adesão à farmacoterapia, do uso correto dos medicamentos e das consequências da não adesão.  

Também é importante que o farmacêutico faça a identificação e manejo de reações adversas causadas pelos medicamentos tuberculostáticos. 

Abaixo, possíveis efeitos adversos nos pacientes em tratamento para tuberculose e condutas que poderão ser adotadas:

EFEITO ADVERSO - CONDUTA

Náusea, vômito, dor abdominal - Orientar que o paciente tome a medicação para TB com o café da manhã, ou 2 horas depois, e marcar consulta com o médico.

Suor e/ou urina avermelhada - Orientar que é um efeito normal da medicação e que voltará ao normal com o fim do tratamento.

Dor de cabeça, ansiedade, insônia - Orientar que é um efeito normal da medicação e marcar consulta com o médico.

Dor nas articulações; Pele e olhos amarelados; Coceira e vermelhidão na pele; Surgimento de qualquer outro sintoma - Orientar para paciente consultar o médico.

Fontes consultadas: 

Brasil. Ministério da Saúde. Respire Aliviado. Tuberculose tem cura. Disponível em: https://bit.ly/2LOgcV9

Brasil. Ministério da Saúde: Tuberculose. Disponível em: https://bit.ly/2F8r1Pr

Brasil. Ministério da Saúde: Todos juntos contra a Tuberculose. Disponível em: https://bit.ly/2Ouh0Nr

Cartilha para o Agente Comunitário de Saúde: tuberculose / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde, 2017. Disponível em: https://bit.ly/2LVAgF1

Dúvidas e sugestões? Acesse nossos canais orienta@crfrs.org.br ou 51-30277500.

Equipe da Orientação Técnica






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