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02/07/2019 - 15h20

"A parte mais bonita disso tudo foi o meu reencontro com a minha profissão"

Letícia Christ de Souza Lima, farmacêutica do município de Arroio Grande, organizou o projeto “Corrida pelo descarte consciente”, no intuito de trabalhar o uso racional de medicamentos com a população. Confira abaixo mais uma entrevista do Farmacêutico em Foco, onde a atuação do profissional novamente é destaque em prol da saúde pública.

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Em Arroio Grande, o trabalho da farmacêutica Letícia Christ de Souza Lima, que atua na rede municipal, já é bem reconhecido pela comunidade. Visando estimular o uso racional de medicamentos, a profissional realiza orientações com equipes de saúde, população, palestras em escolas e desenvolve demais projetos voltados ao bem-estar da comunidade. “Com auxílio de alguns colegas, montei um esquema de dispensação que facilite a compreensão sobre a posologia e administração dos medicamentos, e isso faz com que as pessoas comecem a buscar pelo profissional farmacêutico na unidade”, diz ela. 

CRF/RS - Onde foi a sua formação e como foi a escolha por ser farmacêutica?

Letícia Lima - Sou Farmacêutica e Bioquímica formada pela UCPEL em 1997. Formei-me com o objetivo de atuar na área de Análises Clínicas e assim o fiz. 

 

CRF/RS - És farmacêutica do município de Arroio Grande. Comente o ingresso no setor público e demais experiências profissionais.

Letícia Lima - Trabalhei inicialmente em Análises Clínicas, posteriormente passei num concurso na Prefeitura de Herval, onde trabalhava concomitantemente como RT na Farmácia Municipal de Arroio Grande. Nessa minha primeira experiência no setor público tive a oportunidade de implantar a Farmácia Municipal de Herval. Desvinculei-me do setor público para investir no meu próprio negócio quando então inaugurei a primeira farmácia de manipulação de Arroio Grande, que completa 13 anos em agosto de 2019. Resolvi prestar concurso público novamente e, em setembro de 2018 assumi meu cargo de farmacêutica em Arroio Grande novamente. Nosso município já contava com uma farmacêutica no quadro, Silvia Christina Neto Cancela, que é responsável por toda a parte administrativa e de gerenciamento da Farmácia Municipal e eu fui chamada com o objetivo de descentralizar a dispensação de medicamentos no município. Arroio Grande conta com 3 UBS’s e já temos uma farmácia distrital em funcionamento. As outras duas farmácias distritais devem ser inauguradas nos próximos meses. 

 

CRF/RS – Fale mais sobre os projetos voltados ao uso racional de medicamentos. 

Letícia Lima - Quando regressei para o setor público, comecei a fazer os cursos do HAOC-PROADI-SUS e pude verificar muitas maneiras que eu poderia atuar dentro das unidades, além da dispensação de medicamentos. Atualmente, estou cursando pós-graduação em Farmácia Clínica e Hospitalar pela UCPEL.

Colaborando com as atividades do NASF AB, comecei a buscar material sobre automedicação para trabalhar nas escolas. Foi quando descobri que as maiores dúvidas eram em relação ao descarte. Montei uma palestra educativa sobre automedicação e descarte de medicamentos e, a partir daí, surgiu a ideia do projeto, que leva o título de “Corrida pelo descarte consciente” e tem por objetivo os seguintes itens:

1. Educação e orientação de equipes de trabalho da secretaria de saúde em relação ao descarte de medicamentos;

2. Palestras educacionais sobre “Automedicação” e “Armazenamento e Descarte de Medicamentos” junto à comunidade escolar;

3. Distribuição de material informativo com orientações farmacêuticas aos usuários, pertinente ao “Armazenamento e Descarte de Medicamentos”;

4. Implantação de coletores de medicamentos vencidos e/ou em desuso nos seguintes pontos estratégicos: Farmácia Central, Farmácias Distritais (UBS’s Zona Norte, Zona Leste e Zona Sul), Policlínica, Posto de Saúde Santa Isabel e Posto de Saúde Silvina;

5. Culminância do projeto com o evento que será incorporado no calendário de comemoração de aniversário do município, denominado “Corrida pelo descarte consciente”. Na oportunidade, além de realizar um chamamento à população para um descarte coletivo de medicamentos vencidos e/ou em desuso, através da rústica estaremos incentivando hábitos de vida saudável.

 

CRF/RS – Em conversa sobre a rotina profissional no município, citaste que “a comunidade já pede para falar com a farmacêutica”. Quais são as razões desse comportamento?

Letícia Lima - Neste momento, estou na fase de educação e orientação das equipes, concomitante com as palestras escolares e distribuição do material informativo. Juntamente a essas atividades estou buscando parcerias no setor privado para a aquisição dos coletores. O aniversário do município acontece em março. Mas a parte mais bonita disso tudo foi o meu reencontro com a minha profissão. Estou tendo a oportunidade de atender a população local na UBS, fazendo seguimento farmacoterapêutico junto a uma comunidade com grande índice de idosos e analfabetos. Com auxílio de alguns colegas, montei um esquema de dispensação que facilite a compreensão sobre a posologia e administração dos medicamentos, e isso faz com que as pessoas comecem a buscar pelo profissional farmacêutico na unidade.

Os colegas da UBS foram muito receptivos com a minha forma de atuar e, hoje, realmente me sinto parte da equipe, discutindo e compartilhando casos, sendo solicitada inclusive para visitas domiciliares. Acredito que a parceria com a minha colega farmacêutica, a integração com as equipes e o apoio do gestor me possibilitam e me estimulam a ser cada vez mais participativa e mais apaixonada por fazer o que eu faço.






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